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"Nostalgia mortal dos negros da África" (segundo o "Aurélio"), "banzo" é, no caso em questão, um romance de Coelho Neto, publicado em 1913.
A narrativa principal descreve um mundo em decomposição, visto pelos olhos de Sabino, negro errante numa sociedade em que a escravidão foi extinta, mas onde não foi previsto lugar algum para os libertos. Expulso da fazenda em que viveu desde que chegou da África, seu futuro é a caridade, a errância, a nostalgia do tempo em que seu lugar era o campo, agora tomado pelo colono branco.
O banzo descrito por Coelho Neto é, portanto, o exílio dentro do exílio: primeiro, a expatriação da África (mencionada sem nenhuma especificidade à nação a que pertencera Sabino), e, em seguida, da fazenda em que vivera.
Henrique Maximiano Coelho Neto (ou Netto, conforme grafia da época) nasceu em Caxias (MA) a 21 de fevereiro de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro, a 28 de novembro de 1934.
Professor, poeta, romancista, contista, crítico, teatrólogo, memorialista e jornalista, foi também político, se elegendo deputado federal pelo Maranhão, no início da República e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Estudou no Externato do Colégio Pedro II. Depois estudou Medicina, mas logo desistiu e mais tarde matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde se entregou ardentemente às idéias abolicionistas e republicanas, sendo companheiro assíduo de José do Patrocínio.
Em 1885, deu por concluído os estudos jurídicos e transferiu-se para o Rio, fazendo parte do grupo de Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney. Ingressou na "Gazeta da Tarde" e mais tarde passou para a "Cidade do Rio". Por essa época começou a publicar seus trabalhos literários.
Sua obra é muito extensa. Cultivou praticamente todos os gêneros literários: romances, contos, crônicas, memórias, conferências, teatro e crítica. Tido como um dos maiores prosadores brasileiros, foi no romance e no conto que o escritor encontrou seus principais meios de expressão, sendo inclusive o escritor mais lido do Brasil. O caráter brasileiro de sua prosa, rica de tipos e costumes nacionais, é fator que lhe confere cunho bastante pessoal.

Fonte: www.auniao.pb.gov.br, "Quebra-Coco, nosso bairro e nossas ruas", "Banzo e Preguiça: notas sobre a melancolia tropical" (de Leila Danziger) e Wikipedia
Reprodução capa: http://books.google.com.br
Foto: ABL



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